Wednesday, September 26, 2007

O grande Álvaro



Prof. Oswald – “Vocês são mesmo da escola do Porto?”

Miguel – “Sim, sim, somos!”

Prof. Oswald – “Bravos! Amanhã com certeza que farão uma grande festa depois da conferência do Álvaro… Vocês são do Porto. Têm de se sentir orgulhosos e festejar.”

Miguel – “ Sim, mas nós já o vimos antes. No ano passado tivemos uma aula de projecto com ele onde apresentou o seu projecto das piscinas de Barcelona.”

Liliana – “É muito simpático. No fim dessa aula respondeu às perguntas dos alunos com muita paciência. Nós, alunos, estávamos um pouco inibidos pelo…”

Prof. Oswald – “…Pelo respeito de ele ser um dos maiores arquitectos dos dias de hoje.”

Liliana – “Sim, mas ele logo se mostrou aberto e paciente com os alunos.”

Prof. Oswald – “ Bravo, Bravíssimo o meu amigo Álvaro. O grande Álvaro, sempre paciente e calmo. Pausado a falar. Pensativo talvez. O grande Álvaro. Não se sintam mais nem menos por já o terem visto antes porque Álvaro não se repete duas vezes. É grande. Bravíssimo.”

Miguel – “Sabia que a nossa primeira aula na Faup coincidiu com a última aula de Álvaro Siza naquela faculdade antes de se jubilar?”

Prof. Oswald – “Sim? Que privilégio. Orgulho do grande Álvaro. Que idade terá ele agora?”

Miguel – “Não sei bem. 73, talvez 74!”

Prof. Oswald – “Velhinho, mas sempre fiel ao seu ritmo. E os seus desenhos? Sempre a desenhar, tudo o que vê, o que ouve, o que sente. Aqueles seus cadernos são verdadeiramente preciosos. São à grandeza de Álvaro. O grande Álvaro”



Esta foi uma pequena conversa em italiano que eu e a Liliana tivemos com um dos nossos professores de Projecto, o arquitecto Franz Oswald, enquanto caminhávamos nas ruas de Mendrisio no dia anterior à conferência do Arq. Álvaro Siza.

Erasmus em Mendrisio - Um ano com Zunthor, vacas e afins...



O primeiro post deste blog é sem dúvida dedicado aos próximos tempos que se avizinham... um ano em Erasmus em Mendrisio, Svizzera. Uns diziam Mendrisio não passaria de uma terra no meio da parvónia, rodeada pelas montanhas e vacas, onde só havia uma caixa multibanco.
A minha visão desde que aqui cheguei é bastante diferente. Não só isto não é só montanhas, como aprendi a valorizar de igual para igual as belíssimas montanhas que conformam as vistas do meu quarto, como as belíssimas pessoas que comigo co-habitam na casa del' acaddemia, um sitio esplendoroso, agradável, digno de uma capa de revista da especialidade. As pessoas que habitam aqui são todas impecáveis. Neste momento são a minha família. A constante descoberta das suas diferentes culturas revela-se um desafio que faço a mim mesmo todos os dias. Desde aprender que árabe se escreve da direita para a esquerda, que tem 28 letras completamente desconhecidas para mim, que cada letra pode assumir mais de 3 maneiras diferentes de se escrever porque é preciso unir as letras... O japonês tem 3 dialectos diferentes, cada um mais impossível de compreender que o outro. Afinal existem espanhóis que percebem Português. Na Suécia misturam compota com a carne na comida. E muitos afins...

Repetir nunca é repetir

Colher, recolher e partilhar memórias ou desejos, histórias ou projectos pode [será] o conteúdo deste espaço. A rede conecta-nos e incentiva-nos à procura. Mas quem procura, explora e apreende, sente também o desejo de partilhar, partilhar qualquer coisa, de importância relativa e subjectiva, pessoal e/ou actual…


Repetir nunca é repetir. O meu web-moliskine...